AioCast #06 – Recepção de funcionários com um onboarding eficiente

Sexta-feira é dia de podcast aqui no Aio e dessa vez resolvemos continuar aquele papo bom que tivemos com o Diego Gomes da Rock Content e vamos falar com outro fundador da startup, Edmar Ferreira. Ele bateu um papo sobre como é realizado o processo de adaptação do novo funcionário a empresa e confessou alguns detalhes de como faz a entrevista final.

Ouça o AioCast


Matt Montenegro: Ed, muito obrigada por aceitar o nosso convite para participar do nosso podcast. Eu fico muito feliz de te receber, trabalhamos juntos, já estamos aí nessa caminhada, longa jornada de startup, comunidade de startups em Belo Horizonte. E ver o crescimento da Rock, como a Rock tem se posicionado de maneira propositiva, positiva no mercado é uma grande inspiração. Não só para mim, por ter acompanhado e ainda acompanhar você, Diego e Peçanha, mas também para outras pessoas. Outras empresas de BH e até de fora do Brasil que hoje tem olhado para a Rock como uma grande inspiração, um grande exemplo.

Ed, você não é de Belo Horizonte, você veio do interior de Minas e montou essa empresa tão admirada como eu acabei de falar. Conta um pouquinho sobre você, sobre a sua história e como que você chegou a cruzar o caminho com o Diego e com o Peçanha para começar a Rock.

Edmar Ferreira: Então, eu sou de Montes Claros, fica lá no norte de Minas, aqui no estado mesmo. Hoje a Rock fica aqui em Belo Horizonte. Apesar de ser aqui dentro do estado, a distância de Montes Claros para BH, não é tão diferente da distância de BH para São Paulo. Então é bem afastado. A gente brinca sempre que a gente é mais baiano do que mineiro, na verdade. A gente está mais próximo ali do sul da Bahia.

Eu nasci em Montes Claros, cresci lá, aprendi a programar muito cedo com 12 para 13 anos. Eu tinha esse sonho de trabalhar com tecnologia. Virou meu sonho montar a minha própria empresa, montar a minha startup. Na época em que eu entrei na faculdade não se falava muito em startup, então eu comecei a ler as coisas de fora vindas dos Estados Unidos.

Sonho empreendedor

E eu tinha esse sonho de criar a minha própria empresa, pensei em alguma coisa de tecnológica que seria ou na área de biologia, biotec, ou na área de computação. Por isso eu fiz duas faculdades, fiz engenharia da computação e biologia. Não conclui nenhuma das duas, porque eu tive a oportunidade de fazer estágio em uma startup que era de São Paulo e que estava se mudando para Belo Horizonte. E eu falei: “cara eu quero muito trabalhar com startup, é isso que eu quero”. Larguei faculdade, larguei tudo, acho que no último, penúltimo ano, se não me engano, da faculdade para trabalhar essa ideia.

Eu queria testar primeiro, trabalhar numa startup, saber como que funcionava, para ver o que que era antes de montar a minha, né? Saber tantos erros e acertos de uma startup. E como eu era muito engajado nessa área de tecnologia de startup e a comunidade era muito pequena, pela internet mesmo eu conheci o Diego Gomes. (Ouça a nosso AioCast com ele!) Que hoje é meu sócio. Ele chegou a trabalhar comigo nessa empresa de startup que se chamava Via6, a gente foi colega.

O Peçanha chegou a trabalhar lá depois de um tempo mas eu conheci ele através do Diego, que os dois foram colegas de Faculdade. Você, Matt, eu também conheci lá na Via6, uma turma muito boa.

E eu acabei conhecendo o Diego pela internet. Ele tinha um blog e eu tinha um blog. Eu comentei no blog dele e ele comentou no meu blog. E a gente ficou amigo. Conversamos sobre isso de startup, sempre querendo abrir uma empresa. Chegamos a trabalhar juntos na mesma empresa, depois saímos para caminhos diferentes cada um de nós. Eu fui prestar consultoria e depois fui trabalhar com gestão de produto. E a gente sempre conversando, pensando em múltiplas ideias. Todas elas muito ruins. Nenhuma delas viu a luz do dia. Hoje a gente senta e ri. A gente senta no bar e ri das bobagens que a gente pensava e que achava que eram ideias geniais na época.

rockcontent

Como começou a Rock Content

Eventualmente a gente acabou largando os empregos para montar a EverWrite que era uma empresa baseada em SEO. Que acabou pivotando virando a Rock Content, que é a empresa que a gente tem até hoje, eu, Diego e o Peçanha. Foi uma jornada bem convoluta até chegar na Rock Content mas sou feliz pela jornada porque a gente já montou a Rock Content com menos ideias plantadas pela mídia e muito mais realidade.

+ Ele fez um conteúdo para o blog Vida de Startup contando o que um CEO faz dentro da empresa vai lá ver!

Já tinha passado por várias startups, o Diego também. A gente já tinha tido uma história com a EverWrite que não estava indo bem. Então quando a gente foi para a Rock a gente já estava muito mais preparado do que muita gente começa nesse mundo de startups.

MM: Agora, um assunto que as pessoas mais admiram assim nesse mundo das startups é esse tema da cultura, cultura startup. Eu conversei com o Diego há algum tempo atrás e ele contou um pouco sobre a importância do código de cultura que vocês criaram aí na Rock. Aí eu queria te perguntar qual a influência desse código e como que vocês aplicam essa cultura ou transmitem ela quando vocês fazem novas contratações.

Como transmitir a código de cultura para os outros funcionários?

Ed: Uma coisa que é fundamental e que a gente faz é assim. O próprio gestor ele tem que estar sempre atento a cultura. Então ele sempre vai fazer questões relacionadas a isso na entrevista, mas lá o expert nesse aspecto assim de cultura sou eu, na verdade. A gente tem uma entrevista final com todos os candidatos comigo. E o objetivo não é avaliar se o candidato é bom em termos técnicos e sim avaliar o fit cultural dele para a Rock.

Eu já tenho uma série de questões que eu tenho anotadas e que eu uso nas minhas entrevistas. Que eu uso para identificar quais são as características que esse candidato tem e se essas características que a gente identificou. Se elas estão correlacionadas com os objetivos e também, óbvio, com a cultura que a Rock tem. Então, de todos os nossos funcionários a última entrevista até hoje foi sempre comigo para ter esse Double check se realmente aquela pessoa tem a nossa cultura e se realmente ela vai se adaptar.

Como inserir o novo colaborador na cultura da empresa

Eu sempre brinco com o pessoal que eu quero que a Rock Content seja o melhor empresa do mundo para quem tem a nossa cultura da Rock trabalhar. Seja a pior empresa do mundo para que não tem a nossa cultura trabalhar. Acho que esse Double check é importante, fala-se muito de termos de cultura, em termos desse mundo de startup, e é muito importante separar um pouco.

A cultura do mundo de startups tem algumas similaridades entre as startups e a cultura da sua startup. Por que que a Rock Content é a Rock Content e não é o Google, não é a Hotmart, não é o Facebook? A Rock Content é a Rock Content do mesmo jeito que você é você. E a distinção que vai fazer a cultura tem a ver também, em certo aspecto com a personalidade da sua empresa. Tem a ver com o que a sua empresa representa. Filtrar os candidatos, filtrar quem entra de uma maneira efetiva, faz todo sentido. Por isso que eu faço essa última entrevista, essa última etapa. Para ver se esse candidato tem os comportamentos que representam essa nossa cultura.

A nossa cultura é muito baseada em comportamentos. E daí é o primeiro filtro. Depois disso tem o onboarding onde ele vai passar por várias etapas e departamentos da empresa. Ou seja nos primeiros dias ele não trabalha na sua função.

Ele tem uma turma que vai entrar junto com ele e que vai entender como todos os departamentos funcionam, como que a nossa cultura impacta cada um dos departamentos. Ter contato com gestores ou membros seniores, todos os times, para eles entenderem como a empresa funciona, para eles entrarem com essa cultura um pouco mais arraigada. Conhecendo outras pessoas de dentro da rock que trabalham dentro da nossa cultura a gente consegue fazer quase que uma imersão na cultura da Rock já no começo do processo.

Rotina de aprendizagem na Rock Content

MM: Você já falou um pouco disso aí e até quero te perguntar sobre as medidas que vocês tem para que essa preciosa cultura que vocês tem ela seja passada adequadamente para os novos funcionários. Então, vocês fazem um onboarding bem rigoroso com os novos contratados para que eles possam se emergir ao máximo dentro dessa cultura que é o que vocês tanto valoram aí internamente.

Agora, ainda dentro deste aspecto, também quando eu conversei com o Diego, ele também fez uma menção que eu gostei muito. Ele falou que a Rock se tornou uma grande escola. Você pode contar um pouco sobre essa rotina de aprendizagem contínua que vocês possuem? Te pergunto isso porque sempre que eu visito vocês, sempre, está rolando um curso, está rolando um mini workshop de algum setor com alguma atualização, vocês tem eventos contínuos, tanto para atualização interna dos seus colaboradores como também aberto para o mercado, a própria universidade que vocês possuem hoje com algumas certificações. Você pode contar um pouco sobre essa rotina de aprendizagem de vocês?

onboarding

Rotina baseada no aprendizado

Ed: Na verdade, a rotina de aprendizado já vem antes do processo todo. Porque faz parte da cultura da empresa justamente aprender. Como aprender é um dos nossos valores, a gente tem que ter uma coisa já incluída no dia a dia da companhia que vai ajudar as pessoas a aprender. E por isso o impacto tão grande de ter aulas recorrentes, esse é um ponto um que é um ponto cultural.

O ponto dois é uma questão mais estratégica. Como marketing de conteúdo é uma coisa muito nova e as pessoas não tem conhecimento em marketing de conteúdo, a gente precisa ensinar todos os membros da nossa equipe o tempo inteiro.

E a terceira coisa é que o marketing de conteúdo assim como o marketing digital, assim, nesse mundo de tecnologia, muda muito rápido. Então, para a gente ficar sempre atento às mudanças. Para sempre sermos os melhores, nós temos que estudar o tempo todo.

Faz parte da nossa cultura e é estratégico, por isso temos essa frequência de aulas o tempo todo. E a gente sabe que na Rock todo mundo tem para ensinar, né?

Um dos nossos rituais mensais em uma reunião geral, é quando reúne a empresa inteira, e antes de eu falar, sempre tem alguém que fala antes. São toques rápidos,  5 minutos só e a pessoa pode falar sobre o assunto que ela queira. Então, é um ritual, todo mês tem, todo mês sobre os mais variados temas.

É parte da cultura ensinar, aí tem a escola da Rock que é um outro programa de uma aula com uma hora, que algum membro do time dá sobre um assunto relevante de marketing digital ou de vendas, ou de alguma coisa relacionada ao nosso trabalho interno. Então, esses dois são dois rituais que a gente tem aí importantes nesse sentido.

Como fortalecer a equipe

MM: É impressionante ver isso porque o que me agrada muito desse modelo que você comentou aqui, desses assuntos que são diversos, é que muitas vezes a gente valoriza o nosso colaborador pela sua aptidão pela qual ele foi contratado. Mas às vezes ele possui tantas outras habilidades e conhecimentos que podem ser compartilhados e que de fato servirão de ajuda, de auxílio, não necessariamente internamente no trabalho, mas servirão de auxílio para os outros colaboradores, para os outros integrantes do time em diversas outras situações diferentes, né?

Ed: Acho que uma coisa que você não pode esquecer nunca é que quando você tem um time, você tem várias pessoas ali e pessoas são multifacetadas. A gente acaba gostando de outras pessoas que têm interesses em comum e acaba que no momento em que você se expõe, expõe os seus outros interesses, você vai achar pessoas com o mesmo interesse e fortificar aquela comunidade ali.

Você vê o quanto aquelas pessoas que estão ali dentro daquela empresa são interessantes também, né? Um monte de gente interessante junto. Um monte de gente inteligente cria um ambiente mais propício, cria uma camada intelectual interessante na empresa.

Cultura da empresa x Fundadores

MM: Ah, muito bacana. Ed, para não tomar muito o seu tempo preciosíssimo, não quero atrapalhar vocês a triplicarem ou quadruplicarem de tamanho em 2017. Pra gente fechar, além de recomendar a Rock para os nossos leitores, se você puder deixar um conselho especial para as empresas que estão ouvindo a gente agora quanto a esse tema de cultura e valores, qual que seria assim, um ponto mais especial para você ou que mais te impressiona até aqui na sua jornada junto com a Rock?

Ed: Eu acho que numa coisa que a gente mais acertou, eu diria. E que eu quero que as pessoas também olhem dentro das suas empresas é que a cultura tem que refletir muito os seus fundadores. Acho que a cultura vem muito do que você acredita e do que você quer ter.

Acho que o momento mais autoral e importante do empreendedor, a realização criativa mais importante desse empreendedor é na hora que você escolhe o seu produto no mercado, a quem você vai servir, basicamente.

Quem vai estar ao seu lado?

E segundo é quando você escolhe quem vai servir junto com você. Essa decisão é muito importante e é uma das oportunidades mais interessantes, um desafio. Uma oportunidade muito grande acordar todo dia e ir trabalhar com gente que você quer que esteja lá. Com gente que você escolheu para estar ali. E gente que acredita naquilo que você acredita.

Então, ao invés de tentar encontrar valores tentar criar uma cultura, eu não acredito que os empreendedores deva criar uma cultura. Eu acho que a cultura da empresa é expressar a cultura que você já tem. Se você tenta criar uma cultura e os seus valores são outros, você não vai expressar esse valores e sua cultura já vai nascer morta. Ela vai ser uma cultura no ppt e outra na realidade. Os fundadores não vão representar esses valores, não vão representar o que acontece no dia a dia não vão representar o que são os nossos valores.

 

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Ana Clara Carvalho é escritora, jornalista e blogueira do Diário da Aninha Carvalho. Adora descobrir o que há por trás de séries, filmes e ama escrever, tanto que publicou o primeiro livro aos 20 anos. Além disso, adora gravar vídeos para o canal no YouTube e agora faz vídeos para o Aio também. Ela vai te ajudar a entender o mundo dos cursos on-line tanto para o ensino quanto para treinamentos corporativos como redatora do blog Meu Aio. Então, se quiser falar com a Ana basta comentar abaixo, interagir nas redes sociais ou entrar em contato pelo e-mail: acarvalho@barbaruiva.com. Ah! Ela adoraria ter você como seguidor no Instagram! #FicaDica