Como a gamificação é capaz de melhorar os treinamentos corporativos

Entenda de vez o que é a gamificação nas empresas e como ela pode beneficiar os treinamentos corporativos. Além de possibilitar um aumento do engajamento da equipe, interesse e melhora da produtividade.

Segundo o Estudo Global das Forças de Trabalho (GWS), feito pela Tower Watson em 2012, apenas 35% dos trabalhadores estão verdadeiramente engajados em suas empresas. Além disso, um em cada três funcionários gostaria de sair da companhia dentro de dois anos. Para completar esses números desastrosos, a Tower Watson constatou que 46% dos empregados acreditam que precisam ingressar em outra empresa para alavancar sua carreira.

Tudo isso tende a acontecer pela falta de motivação, perspectiva e sentimento de desvalorização que as pessoas sentem em relação a organização. E é nesse contexto que a gamificação nas empresas ganha destaque. A adaptação de mecanismos de jogos ao contexto laboral permite aumentar o engajamento dos colaboradores por meio de destafios, metas e recompensas.

Gostou da ideia? Quer aprender a usar a gamificação em sua empresa? Então, acompanhe o texto!

De onde surgiu o gamification?

A gamificação, ou gamification, surgiu da necessidade de criar mais atratividade para processos que antes eram considerados monótonos e pouco recompensadores. Nesse contexto, os jogos pareciam ser uma ideia interessante. Esse tipo de ferramenta conseguia manter as pessoas atentas, mesmo ao fazer tarefas repetitivas.

Isso acontece por causa da forma como os jogos são construídos. Eles são pautados em esquemas de recompensa mediante o cumprimento de objetivos. A gamificação não apenas dá uma recompensa a alguém, mas mostra como a pessoa pode alcançá-la e quais recompensas serão possíveis no futuro, se o jogador continuar no mesmo caminho.

Outro ponto relevante dos jogos é o fato de que assim como o nível de dificuldade, o valor da recompensa aumenta gradativamente dependendo do tempo dedicado e da habilidade de quem joga.

Assim, podemos dizer que é dado o nome de gamificação aos processos que são retirados da lógica dos games e aplicados a um contexto que não lhes é natural. Alguns aplicativos atuais fazem o uso desse sistema, principalmente aplicações para o aprendizado de línguas. O Duolingo é um famoso exemplo e você pode dar uma olhada em como ele funciona para entender o que é a gamificação.

Essa forma de pensar foi inserida, inicialmente, na educação e logo começou a dar bons resultados. Os alunos apresentavam disposição ao iniciar o circuito de games e o reforço que era obtido ao alcançar metas fazia com que se dedicassem a mais metas ainda.

É possível colocar a gamificação nas empresas?

Com uma ferramenta dessas a disposição, o mundo corporativo não poderia ficar de fora. Assim, começamos uma intensa busca para encontrar aplicações, dentro do contexto organizacional, que fossem favoráveis a implementação dos processos de gamificação.

Como os processos de aprendizagem já haviam tido sucesso no uso dessa metodologia, a aposta foi continuar pelo mesmo caminho — focar no aprendizado. Dessa forma, o treinamento de colaboradores acabou sendo quem mais ganhou com a gamificação nas empresas. Nesse modelo, os colaboradores são agentes ativos de seu aprendizado, sempre forçando ao máximo para atingir as metas e visando recompensas fartas.

Então, sim, é possível aplicar a gamificação nas empresas. Na verdade, adequar novos processos ao ambiente corporativo tende a ser uma eficiente estratégia para atrair seus colaboradores e engaja-los nos trabalhos da organização. Lembra que falamos do problema do engajamento? Essa é uma das soluções.

Como criar um modelo eficiente de gamification?

Mas não adianta apenas pensarmos em implementar a gamificação nas empresas e esperar que os resultados aconteçam naturalmente. A estruturação de um modelo funcional é a parte mais difícil dessa metodologia e é, também, o motivo que faz com que a estratégia funcione.

Assim, precisamos ter atenção a alguns aspectos no momento de elaborar um esquema de gamificação nas empresas. São eles: periodicidade de engajamento, grau de desafio, ritmo de premiação, tipos de premiação, bônus por desempenho e intermitência.

Vamos ver como isso funciona?

Periodicidade de engajamento

Nos games online é comum existirem sistemas que premiam os jogadores por fazerem login uma vez por dia. A lógica é a seguinte: a cada dia a premiação melhora um pouquinho, mas se o jogador deixar de fazer o login, ele perde todo seu desenvolvimento.

Essas bonificações não são nada de grande valor, mas ajudam a melhorar o desempenho no próprio jogo, facilitando o acesso a recompensas maiores. Logo, pensar em uma estratégia que mantenha todos os colaboradores fazendo uso da plataforma diariamente é algo positivo.

Podemos usar como bonificação:

Grau de desafio

A gamificação nas empresas precisa trazer uma lógica de evolução e aprendizado. Os colaboradores devem sair dos níveis mais baixos de conhecimento e técnica até os mais elevados. Assim, o ideal é que o game comece com pequenos tutoriais e simulações. Depois que ele passe a apresentar metas simples, de curto prazo. Quando já estiver imerso nessa lógica, o colaborador deverá ganhar acesso a objetivos mais complexos, que exigem o máximo de dedicação, ou seja, atividades difíceis de serem executadas, mas não impossíveis.

Além disso, as “missões”, ou metas, devem ser fracionadas de maneira que para atingir um grande objetivo. Com isso, vários objetivos menores, ou requisitos, devem ser alcançados. Com isso podemos criar metas que levarão meses para serem batidas, mas que dependem da finalização de objetivos mais simples e interligados.

Ritmo de premiação

As premiações precisam ser distribuídas, quando falamos de gamificação nas empresas, sempre que o colaborador atingir uma meta. Elas devem ser proporcionais ao desafio enfrentado pela pessoa. Isso significa que no início o funcionário receberá mais recompensas, mas com menos valor agregado. A tendência é que haja uma inversão disso à medida que o jogo avança, dando menos recompensas ao funcionário, mas investindo para que sejam cada vez melhores. Com isso, com mais valor agregado.

Logo, a pessoa começa recebendo premiações ao assistir um vídeo ou responder um questionário. Mas no futuro ela só será recompensada ao terminar módulos inteiros de treinamento ou tirar notas mais elevadas nas provas. Esse é apenas um exemplo de como fazer, o importante aqui é ser criativo.

Vale ressaltar, entretanto, que o mais importante nas premiações não é o que oferecemos ao colaborador, mas a garantia de que ele receberá seu prêmio no momento em que atinge um objetivo ou bate uma meta. Assim, tenha ciência de que o controle desse fator é a base do engajamento das pessoas na estratégia.

Tipos de premiação

As premiações oferecidas precisam estar ligadas ao conteúdo que o colaborador aprendeu com o jogo. Além disso, deve estar alinhada aos valores e missão da empresa.

Algumas ideias de premiação são:

  • Viagem para congressos,
  • Viagem com a família,
  • Alimentação personalizada na empresa,
  • Reunião com gestor,
  • Equipamento novo para trabalho etc.

Pense o seguinte: qual experiência você quer propiciar para seu colaborador como forma de reforçar o que ele vem aprendendo com o game?

Bônus por desempenho

Como uma segunda forma de incentivo, podemos — e devemos — premiar os colaboradores que mais se destacam. O caminho para fazer isso é por meio de um ranking. Nele deverão ser listados os colaboradores que mais subiram de nível, mais assistiram vídeos, tiraram as maiores notas ou mais produziram.

Ao final de períodos delimitados — mensal, trimestral, semestral ou anual — os primeiros colocados em cada categoria recebem alguma gratificação. Assim, não só completar os objetivos que é importante, mas também disputar as primeiras colocações com os colegas de trabalho. Isso torna a gamificação nas empresas algo um pouco mais competitivo, mas também mais eficiente.

Intermitência

A aplicação de recompensas intermitentes é outra estratégia interessante para fortalecer o laço dos colaboradores com a gamificação. Para fazer isso, devemos recompensar aleatoriamente os colaboradores que estejam praticando. Não tendo a certeza de quando será recebido esse bônus, a tendência é que o tempo que o colaborador passa praticando seja maior.

Existem plataformas que facilitem a gamificação nas empresas?

Investir em uma plataforma que controle 100% das bases de uma gamificação nas empresas é caro. Por isso, o modelo ideal para fazer essa prática é por meio das ferramentas disponíveis no mercado. Utilizar metodologias já existentes e muita criatividade.

Podemos, por exemplo, criar um ranking online em que atualizamos manualmente os melhores competidores. Isso pode ser feito por uma planilha do Google. Além disso, munidos de um quadro, temos a opção de criar metas para os colaboradores. Dessa forma você consegue sempre implementando novos desafios à medida que os antigos forem sendo cumpridos.

Por fim, contar com uma plataforma de que ofereça suporte para vídeos e provas online, assim como análise individual de desempenho dos colaboradores, é uma opção interessante. Nisso entra o YouTube Corporativo, como é o caso do Aio.

Viu? A gamificação nas empresas é totalmente possível. Só depende apenas da vontade dos gestores e de muita criatividade na hora de motivar e engajar os funcionários.

Agora, se você ficou interessado na plataforma da Aio, que tal dar uma conferida no que podemos oferecer? Conheça nosso YouTube Corporativo e veja que vantagens ele pode trazer para você!

fale com um consultor aio

Wendell Coutinho
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Wendell é bacharel em Psicologia, redator, viciado em games e comportamento humano. Não perde a chance de ficar em frente ao computador jogando por horas a fio, sempre acompanhado por um podcast de Empreendedorismo, Psicologia, Política ou Gestão. Adora produzir conteúdos e ficar conversando sobre a vida. Se quiser encontrá-lo é muito fácil, basta procurar pelo Pront no LOL (League of Legends) e puxar um assunto!
  • Daiana Martins

    Ótimo artigo.
    Estou fazendo meu TCC neste assunto. Gostaria de verificar a possibilidade de uma entrevista.
    Tens algum e-mail pra que eu possa enviar?

  • Roberto Slomka

    Olá Wendell, boa matéria sobre o tema. Eu senti falta de se diferenciar melhor a noção de gamification da noção de game learning (que seria o uso de jogos educativos, onde o jogo em si encerra o conhecimento ou habilidade que se deseja incrementar). Um alerta, como praticante e game designer: é extremamente importante associar qualquer premiação (seja uma simples pontuação) a uma ação EFETIVA, ou seja, uma ação que gere um resultado percebido. Exemplo: a título de fomentar a comunicação numa grande empresa de software, a rede social interna foi gamificada para atribuir pontos pela participação (postagens e comentários), como resultado imediato, foi gerada uma enxurrada de comentários sem valor, às vezes de uma única palavra relacionada com o tema comentado. O efeito foi reverso ao desejado, ou seja, as pessoas fugiram da rede por “estar poluída”. A emenda foi pior que o soneto: ao refazer as regras, atribuindo pontos aos comentários com avaliação POSITIVA, resolveram zerar toda a pontuação. Resultado: alguns colaboradores mais competitivos se excluíram da rede social por terem perdido “seus pontos”.
    Ao lidar com pessoas num contexto de gamificação mexemos com sensos de propriedade, de orgulho, de maestria, elementos subjetivos que podem gerar muita confusão. Cautela é recomendada. Ah, e se resolver mudar as regras, crie um rito de passagem e premie aqueles “até o momento” antes de zerar tudo!