AioCast #04 – Uma empresa deve ser uma grande escola: aprender, ensinar e resolver

Tempo de leitura: 14 minutos

Sexta-feira é dia de AioCast. Dessa vez conversamos com Diego Gomes, co-fundador da Rock Content. Neste episódio, Diego conta como o código de cultura da Rock foi criado, os seus principais pilares e a importância de uma empresa deve ser uma grande escola para seus colaboradores onde eles possam sempre aprender e ensinar.

Além disso, o Diego Gomes deu algumas dicas para criar o culture code da sua empresa, então, temos algumas leituras especiais para você no final da postagem 😉

AioCast

Ouça também no SoundCloud

Matt Montenegro: Antes da gente começar, seria legal você se apresentar e falar um pouquinho da sua história e da história da Rock Content.

rockcontent

Diego Gomes: Eu sou um dos co-fundadores da Rock Content, junto com o Edmar e o Peçanha, a gente criou a Rock Content que já está indo para 4 anos. Eu sempre gostei muito da área de Marketing Digital, de vendas, de métricas, de análises e a maior parte da minha carreira eu trabalhei em atividades correlatas a isso. Bom, a gente fundou a Rock Content com a visão de trazer um pouco o conceito de marketing de conteúdo para o mercado brasileiro. A gente tem tido um crescimento bem legal, as empresas e pessoas estão gostando muito dessa ideia, estão apostando muito. Então tem sido bacana essa ideia tornar empreendedora aí.

San Pedro Valley

MM: A gente já se conhece há um tempo, então, só para contextualizar um pouco. Eu sei que você passou uma temporada nos Estados Unidos há alguns anos atrás. O tempo passa rápido, então talvez alguns muitos anos atrás. Mas ao mesmo tempo você está diretamente envolvido aí com o desenvolvimento do que a gente chama de San Pedro Valley aqui em Belo Horizonte.

empresa deve ser uma grande escola

MM: Parte desse desenvolvimento, dessa comunidade de empreendedores, relacionados ao que a gente chama de startups. Parte desse desenvolvimento se dá pelo fato de existir bastante colaboração entre essas empresas. Você consegue destacar alguns aprendizados e experiências que você vem tendo com outros empreendedores e que finalmente você, junto com o Ed e com o Peçanha, vocês passam para o time de vocês? Vocês incorporam no dia a dia da Rock?

DG: Essa foi uma experiência muito legal aí que você mencionou. A gente foi, Eu e o Ed pro Vale, passamos algum tempo lá, alguns anos. Uma coisa que a gente notou que a gente tinha poucos contatos lá, a gente não era nativo da região, um peixe fora d’água, e a gente conseguiu ser relativamente bem abraçado. Quando eu digo relativamente porque a gente não conhecia muita gente, mas a gente conhecia outros brasileiros que estavam lá. E vários deles conseguiram nos ajudar a conseguir reuniões, conhecer gente no Vale.

Colaboração

Isso é muito legal porque mostra essa cultura de colaboração. No caso lá foi mais uma colaboração entre brasileiros e brasileiros, com a rede desses brasileiros no Vale, contando com a nossa. Mas foi uma experiência bem legal. A gente trabalhou em um coworking lá. A gente conheceu muita gente nesse espaço. Foi uma experiência bem legal porque apesar de não termos uma rede de contatos, a gente conseguiu explorar muito por lá e conhecer muita gente.

Para o mercado local eu vejo uma situação bem parecida quando a gente fala de Belo Horizonte. Até porque você, os meninos do Hotmart, simpla, tracksale, quando essa galera começou, a gente sempre teve uma abertura muito grande de se aproximar de outras pessoas, de outras empresas, outras culturas, entender um pouquinho do que essas pessoas estavam fazendo e trazer um pouquinho dos aprendizados e dos erros de cada um para dentro da empresa. Então, eu acho que, no ponto de vista de comunidade, isso aí nasceu bem legal com essa visão de compartilhamento e tudo mais.

E trazendo pro âmbito da Rock Content assim, hoje uma coisa muito legal que eu vejo acontecendo aqui, é que a maioria das empresas de San Pedro Valley tem dado grandes sinais de tração, tem crescido e tem tido problemas cada vez diferentes, em estágios diferentes. E o que eu tenho visto se formar é uma rede, entre um cara que está trabalhando como social media aqui na Rock Content, um cara que está trabalhando como Social Media da Méliuz, um cara que está trabalhando como social media em outra empresa. Um cara que está trabalhando em email marketing aqui e um cara que trabalhou com e-mail marketing na empresa Y, na empresa Z. E esses grupos se multiplicando por dentro das startups.

Isso é muito legal. Eu sei, por exemplo, o pessoal da Méliuz organiza um grupo de marketing junto com o pessoal da Sympla e algumas pessoas aqui da Rock também. Eu sei que essa troca de experiência está desinstitucionalizada. Agora a galera está se misturando mais, trocando mais figurinhas. Eu estou achando isso algo bem legal e tem sido bacana para o desenvolvimento do ecossistema na minha opinião.

Cultura x Diploma

MM: Vocês cresceram muito nos últimos anos, especialmente ano passado, particularmente falando no número de pessoas. A gente percebe vocês aí contratando com muita frequência, todo mês 5, 8 pessoas novas entrando. Com relação a esse grande fluxo de pessoas, quando vocês fazem essas seleções, por exemplo, como vocês enxergam essa parte de importância quando a gente fala de cultura x aptidão técnica/diploma?

DG: A Rock Content é uma empresa, mas a gente acabou acaba virando uma grande escola, as posições que a gente mais contrata é mais na equipe de vendas, customer success, por exemplo. Elas são posições que são muito novas no mercado brasileiro e não tem muito talento formado assim. Existe pouco talento maduro formado para o Brasil nessa área ainda.

A gente optou por contratar muito com foco na nossa cultura e um dos valores chave da nossa cultura é aprender. Então, no fim do mês, se você me perguntar a aptidão técnica com cultura… A gente está contratando muito mais por cultura e por vontade de aprender, e desenvolvendo talento. A gente montou um time de alta qualidade aqui, alta performance.  E ninguém desses caras, ninguém desse time quando chegou aqui sabia com precisão para que posição ele estava sendo contratado aqui. No sentido de qual conhecimento técnico necessário para se tornar um grande gerente de sucesso do cliente ou grande vendedor.

Treinamento interno

MM: Eu vejo que hoje você tem um vários cursos diferentes que vocês abriram até para o mercado. Quando você fala dessa questão de tornar-se uma grande escola acho que, de certa forma, reflete até externamente, porque muitos veem a Rock hoje como referência nessa parte de marketing de conteúdo, inclusive na questão do certificado. E isso tem se tornado cada vez mais um diferencial para vocês, mas também, ao mesmo tempo, acaba trazendo um selo, uma grande qualidade do trabalho que vocês tem, né?

DG: É, isso foi uma coisa muito interessante para a gente, porque pra gente Marketing de conteúdo numa super simplificação o que que é? É compartilhar conteúdo com qualidade com seus clientes, ensinar eles a fazer coisas e aí eles vão gostar mais de você por isso. Quando a gente começou, o mercado de marketing de conteúdo aqui era muito pequeno ainda, muito deficiente. A gente via lá fora grandes empresas de tecnologia apostando em cursos e treinamentos gratuitos para promover com as soluções de suas plataformas.

A gente lançou a certificação para marketing de conteúdo, a primeira versão dela, era uma certificação interna. A gente fez uma prova e um curso para a empresa inteira se treinar. Funcionou tão legal que a gente resolveu abrir para o mercado. E hoje já passaram mais de 15 mil alunos, eu não tenho certeza do número, é um volume bem impressionante.

Isso é legal porque as pessoas passam a ter uma afinidade maior com a nossa marca. Elas querem mais conteúdo e aí foi feito o quando a gente lançou a universidade também. Porque todos aqueles materiais era treinamento nosso que a gente tinha aqui de automação de marketing de e-mail marketing. Áreas específicas do conhecimento que a gente não tinha tanto material para capacitar nossa equipe, e ai a gente escolheu fazer isso. E, assim, é tudo fruto dessa crença nossa que marketing de conteúdo é o futuro. É uma coisa que faz muito sentido. E marketing de conteúdo para gente nada mais é do que ensinar e capacitar o seu cliente, de forma que quando ele tem que buscar soluções nessa área de atuação ele vai preferir você.

Culture Code

MM: Voltando para o que você falou da Rock ser uma grande escola. Vocês fizeram um documento recentemente sobre cultura. Que você deixam público, compartilhado no Slide Share, por exemplo. Ele também serve de inspiração para muita startup e muitas empresas e também para absorverem um pouco daquelas coisas bacanas que vocês tem. Você pode contar um pouquinho, sobre como que foi a construção desse documento, como vocês chegaram em alguns desses pontos, dessas resoluções, para, finalmente, para compilar isso e transformar isso em um livreto de guia da Rock.

A empresa deve ser uma grande escola

DG: Claro, é até interessante isso que você está falando. Eu estou voltando aqui na nossa apresentação de cultura. Eu fui olhar a data de publicação dela, ela foi publicada no dia 25 de novembro de 2015. Tentando voltar um pouquinho, esse documento é mais velho do que ele parece até. Em novembro de 2015, essa é a data em que ele foi publicado.

Quando a gente era 20 pessoas, a gente criou um código de valores aqui. Extremamente simples que são três coisas que a gente acredita muito que são: aprender, ensinar e resolver. Se a gente está aqui a gente sempre tem que estar aprendendo. Tem que estar ensinando as pessoas o que a gente sabe e tem que estar resolvendo problemas. Virou um mantra interno.

Atualizar o culture code

Mas quando a gente chegou a 50 pessoas, a gente já fala: “será que a nossa cultura continua do jeito que era quando começou?” Com 50 pessoas é quando começa a ter uma possível diluição dessa cultura. Então a gente fez uma pesquisa. A gente entrevistou todos os estão funcionários da Rock Content. Perguntamos o quão alinhados eles estavam com esses valores. Quais os valores que eles apostavam. E baseados nessa pesquisa a gente criou esse Culture Code 2.0. Onde a gente além dos planos fundamentais a gente adicionou o trabalho em equipe e o crescimento.

A gente optou por publicar isso porque uma das questões da nossa entrevista, das coisas que a gente busca e na hora de contratar a gente quer gente que seja parecida com a gente. Gente que gosta das mesmas coisas, que acredita no que a gente acredita.

Então, que a gente publicou isso, hoje ele tem mais de 70 mil visualizações. E acho que ele fez um papel muito legal em atrair talentos que acreditavam em coisas parecidas com as nossas. Esse fenômeno de publicar culture code é um fenômeno relativamente antigo nos Estados Unidos, mas isso no Brasil é uma coisa não tão antiga assim. E poucas empresas têm código de cultura publicados.

Para a gente foi um feedback muito legal. Isso faz com que as pessoas consultem o Culture Code com mais facilidade, revisitem. E até para alguém falar que uma coisa não é alinhada com a cultura da Rock Content. Então, foi uma coisa muito poderosa para a gente criar, documentar esse código de cultura.

MM: As pessoas vão crescendo, às vezes ordenadamente e às vezes um pouco mais desordenadamente. E o tempo vai passando e elas precisam se atualizar nesse sentido. Às vezes revisar um pouco essa parte de cultura e valores como vocês eventualmente fizeram. Você tem alguma dica nesse sentido?

DG: Com certeza, eu acho que a cultura vai vir do time fundador. Então, tem duas pessoas e vocês já tem um código compartilhado. Tem que ter uma preocupação desde o dia um. Mas o que eu sempre falo, é que eu sempre tento revisitar é que Cultura Corporativa é um work in progress. É um trabalho que é desenvolvido com o tempo. É uma coisa que muda e que evolui, que precisa de ser revisitada.

Se você olhar a nossa cultura, tem um slide lá que fala: “Esse é um trabalho em andamento, ele não foi concluído ainda. Mande o seu e-mail para cultura@rockcontent.com que você vai ser respondido diretamente pelos fundadores”, inclusive.

empresa deve ser uma grande escola

Assim, você não precisa ter um PowerPoint bonito, você não precisa ter um e-book bonito. Você não precisa de ter nada. A gente começou com um Evernote e alguns bullet points. A medida que a empresa foi crescendo, a gente foi ouvindo as pessoas e vendo as pessoas. Vendo o que elas acreditavam, no que a gente acreditava. E foi um trabalho de curadoria e manutenção também.

A empresa não é necessariamente uma democracia, mas a gente tem que ouvir a todos. Então a gente fez um esforço aí e constantemente entrevista as pessoas baseado no nosso código de cultura. A gente avalia baseado nisso. Então, eu aposto muito que desde o dia um você ter uma preocupação com cultura é muito importante. Acho que é uma coisa que todo mundo deveria fazer.

MM: Diego, eu quero te agradecer pelo tempo, por trazer um pouco desse background de vocês. Em especial nessa questão de cultura que é um tema super importante. E, por incrível que pareça, de certa maneira até atual e algo que as pessoas estão revisitando com uma frequência inédita nos últimos tempos. E acredito que muitas das dicas e das experiências que você compartilhou podem ajudar quem está nos ouvindo hoje. Obrigada pelo tempo e em uma próxima oportunidade, a gente aborda alguns temas mais específicos. E a gente segue conversando um pouco mais a respeito.

Como fazer o Culture Code: leituras essenciais

DG: Eu que agradeço, Matt. Pode deixar uma última dica para quem está começando a navegar por esse assunto? Tem algumas coisas que eu trombei lá no início e que mudaram muito o meu jeito de pensar. Eu queria pedir para você deixar quatro links aí.

empresa deve ser uma grande escola

(1) Põe o pessoal para ver o código de cultura da Rock Content. Se ficar interessado e se você se achar parecido com a gente e quiser saber um pouquinho, a gente está contratando 15 pessoas por mês. Então, pode dar uma olhada nas nossas vagas também.

(3) O código de cultura da Netflix, acho que eles foram os primeiros a publicarem o código de cultura na internet, aberto para quem quisesse ver e fez um trabalho fantástico.

(2) O que eu também acho muito bacana e é o trabalho de uma cultura completamente diferente que foi publicado é o da Hubspot.

(4) Não é uma apresentação, é um ensaio chamado Cult Creation. Esse é um ensaio muito interessante sobre como criar cultura, como criar um ambiente bacana.

Espero que você tenha curtido o quarto AioCast. Dessa vez falamos sobre o Culture code e sobre como uma empresa deve ser uma grande escola. Mande nos comentários a sua opinião e o que gostaria de ouvir no #AioCast.

Para ouvir todas as entrevistas é só dar o play aqui embaixo ou acessar o Soundcloud.

aiocast

Sobre Ana Clara Carvalho

Ana Clara Carvalho é escritora, estudante de jornalismo e blogueira do Diário da Aninha Carvalho. Adora descobrir o que há por trás de séries, filmes e ama escrever, tanto que publicou o primeiro livro aos 20 anos. Além disso, adora gravar vídeos para o canal no YouTube e agora faz vídeos para o Aio também. Ela vai te ajudar a entender o mundo dos cursos on-line tanto para o ensino quanto para treinamentos corporativos como redatora do blog Meu Aio. Então, se quiser falar com a Ana basta comentar abaixo, interagir nas redes sociais ou entrar em contato pelo e-mail: acarvalho@barbaruiva.com. Ah! Ela adoraria ter você como seguidor no Instagram! #FicaDica