AioCast #03 – Não tenha funcionários, tenha amigos

Sexta-feira é dia de AioCast aqui no blog! Dessa vez conversamos com Tomás Duarte, Co-fundador e diretor executivo da Tracksale. Uma plataforma online capaz de monitorar a satisfação do cliente. Ele nos revelou alguns segredos para acertar na escolha do melhor candidato para a vaga da empresa. Falou sobre como as experiências no exterior são importantes, principalmente para a contratação. Afirmou que mais que funcionários ele pretende fazer amigos dentro da empresa. Que o intercâmbio fez com que percebesse a importância da qualidade de vida. A Tracksale tem uma base em São Paulo, então, Tomás Duarte também revelou como faz para cuidar das duas bases, sendo a principal em Belo Horizonte.

Esse terceiro AioCast está recheado de conteúdo para você. É só dar o play!

AioCast

Matt Montenegro: Antes de começar, Tomás, conta um pouco sobre a sua história pessoal, como chegou no Tracksale. Você já empreende há algum tempo aqui em Belo Horizonte, eu te conheço já há alguns anos. Conta pra gente como foi essa sua jornada e como você começou e consolidou com a Tracksale.

Tomás Duarte:
A minha história ainda é muito recente. Eu sou um dos co-fundadores da Tracksale. Tem basicamente 4 anos. Na verdade, antes, eu tinha uma agência de marketing digital. E antes da agência eu morei durante um ano no Vale do Silício, na Califórnia. E foi onde que eu pude, vamos dizer assim, ser contaminado por essa questão de tecnologia, inovação, startups, etc.

Ou seja, eu morei no Vale do Silício, voltei para Belo Horizonte (MG) e montei uma agência. Na prática eu trabalhava muito para clientes diferentes e nada que eu fazia era útil para todos os clientes. Então eu falei assim. “Olha, chegou a hora de montar um produto mais digital instalado que eu pudesse fazer qualquer melhoria que fosse útil para todos os clientes.”

Então, a gente começou a pensar em soluções mais inovadoras de produtos. Começamos a validar uma série de propostas e ver qual se performou melhor. E uma tecnologia que fosse útil para as empresas que fizessem a gestão de satisfação do cliente.

Belo Horizonte x Califórnia

MM: Aproveitando um pouco do que você já comentou, dessa sua experiência no Vale do Silício. Eu sei que a experiência não é igual. Não tem como a gente fazer uma comparação idêntica. Mas Belo Horizonte tem um ecossistema bastante reconhecido quando a gente fala sobre startup. Onde há muita colaboração, cooperação entre startups e fundadores. Juntando a sua experiência lá fora, na Califórnia. Juntando a sua experiência até esse momento aqui em Belo Horizonte. Quando a gente fala de cultura e valores, qual que é a principal experiência que essas duas jornadas que você tem vivido tem passado para você? E, por consequência, você também tem levado pro seu time?

TD: Quando eu morei lá, eu morei em uma cidadezinha chamada Davis. Que é mais ou menos 30 minutos de São Francisco. E lá eu pude perceber o quanto a qualidade de vida é importante pra você, pra sua vida profissional como um todo. Às vezes você morar perto do trabalho. Você ter uma facilidade de locomoção. Um ambiente legal para de trabalhar, pessoas interessantes, bem capacitadas. Isso tudo acabava influenciando. Em Belo Horizonte, se você observar, não é tão distante disso.

Ou seja, aqui eu demoro cinco minutos para chegar em casa do meu trabalho. Tem pessoas legais, tem uma equipe legal, que está confortável para empreender.

Eu não empreendi lá na Califórnia, eu fui lá mais para estudar inglês. E acabei conhecendo várias empresas como o Google e o Yahoo, na época. Então, eu percebi o quanto isso é importante desde o início. Eu fui contaminado por isso. Desde o início eu queria e fui inspirado a trabalhar dessa maneira.

Qualidade de vida e contratação de novos funcionários

Então, a qualidade de vida é o que eu tento me preocupar bastante. Hoje, no momento da contratação eu tento perceber se a pessoa vai ter qualidade de vida ao longo do trabalho dela. Desde o meio do locomoção dela, passando por quanto tempo ela gasta para chegar, a distância da casa dela. Se ela vai ter problemas de violência, se ela vai ter problemas, ou seja, qualquer detalhe pode fazer a diferença. Se o local que ela vai almoçar está compatível com a realidade dela. Cada detalhe pode fazer a diferença. Se tiver uma série de detalhes que podem gerar um desconforto, isso pode ser prejudicial a qualidade de vida.

site da tracksale contratação aiocast

Retenção de funcionários

MM: Vocês tem feito algum trabalho na Tracksale para reter esse funcionário, para você mantê-lo ali mais tempo? Como você lida com isso no mercado? Como você planeja para que esse funcionário fique com você mais tempo. Ou para que ele abrace a sua causa? O que vocês fazem aí hoje?

TD: A média de idade da nossa equipe hoje é 23 anos. Eu tenho 30 anos. O fato é que hoje tem várias estratégias em que a gente atua. Na verdade, eu vivencio muito a equipe. O nosso foco é fazer amigos aqui dentro. Inclusive todos, ou quase todos, 99% das pessoas que trabalharam comigo ao longo do tempo. Mesmo as pessoas que saem, a gente percebe que elas indicam a Tracksale para outros amigos. Para outros profissionais, ao longo de outras jornadas que elas possuem em outras empresas. Porque eu não me preocupo em fazer empregados, eu me preocupo em fazer amigos mesmo. Então é muito comum a gente se divertir junto, a gente ter desafios juntos.

E outro ponto fundamental é que eu me preocupo hoje que toda a equipe. A gente ainda não conseguiu isso 100%. Mas toda a equipe tem uma remuneração variável, de acordo com a performance do negócio. De acordo com a performance de projetos, de acordo com a entrada de novos clientes.

A equipe de tecnologia caminha para que ela participe diretamente da remuneração em alguns momentos. A nossa equipe de marketing também, a equipe de vendas, definitivamente ela tem remuneração variável por comissionamento. E a equipe do sucesso do cliente também é comissionada. Então, isso é uma forma de também de sair do marasmo, vamos dizer, retilíneo e financeiro de ter um salário fixo. E de colocar desafios ali no meio, sendo que as pessoas vão ganhar dinheiro com isso também.

Diploma é importante na hora da contratação?

MM: Claro que a aptidão é importante, a questão técnica vale. Mas, cada vez mais, nós temos ouvido pessoas falarem a respeito do fit de cultura. Como que funciona para vocês? Estão indo na contramão disso ou vocês também concordam que o diploma não é tão, vamos dizer assim, importante, não é o primeiro plano de vocês. E o fit de cultura? Ele é o ponto principal que vocês avaliam numa nova contratação.

TD: Pra mim diploma é nada, é zero. É claro que a vida acadêmica pode ajudar em vários momentos, mas como a gente trabalha com inovação e no caso de produtos digitais, softwares como serviços, sempre há uma curva de aprendizado específica para aquele cenário. Nada do que a gente faz hoje ensina na faculdade, falando da Tracksale, né?

Até a parte de desenvolvimento. A maioria dos nossos desenvolvedores e engenheiros, não aprenderam o desenvolvimento web, por exemplo, em um curso de ciências da computação, engenharia da educação. Então, por incrível que pareça. A gente hoje, a parte de diploma tem um peso muito pequeno. Então, a gente se preocupa mais com as pessoas.

O que é importante?

Um fator relevante pra mim é exatamente olhar a vida dela, em um modo geral. De como ela é, o que ela faz, quais são os objetivos, onde ela quer chegar. Redes sociais também. As pessoas deixam ali o que ela representa, quais são os valores que ela tem, posicionamento político, ético, etc. Não que isso seja relevante, mas eu digo assim, pode inclusive traçar perfis, de acordo com a área.

A gente tem o critério de incluir, nesses casos, primeiro o cadastro dessas pessoas. É claro que no cadastro é natural que as pessoas coloquem o diploma e a gente também gosta de receber. Mas mais por uma questão de endereço. De realmente entender qual curso ela fez. Mas não que isso vá servir de incentivo e vá pesar a favor ou contra.

O que conta mais na hora da contratação?

MM: Até certo momento também faz parte da história da pessoa. Pode ser que não tenha o peso técnico como tinha. Mas ele tem um peso na experiência de vida daquela pessoa. Os seus objetivos, o caminho dela e nesse sentido para você me parece ainda bastante relevante.

TD: Exatamente. Hoje, no momento da contratação, eu tento entender muito essa questão. Onde a pessoa quer chegar? Qual é o objetivo dela?

Eu sonho que a nossa equipe possa empreender também. Os nossos funcionários que saem e criam empresas, eles devem ser extremamente valorizados. Porque são poucas pessoas que conseguem ter essa ousadia, que não é tradicional, de tocar um negócio.

Mas hoje, a gente se preocupa muito a qualidade de vida que essa pessoa vai ter. A gente se preocupa com o que ela fez no passado, de vivências e experiências. Eu dou um peso muito grande para quem já morou fora do Brasil. No nosso processo seletivo eu já pergunto: você já morou fora do Brasil por mais de seis meses? Pergunto também: Onde você gostaria de estar em cinco anos? Onde você gostaria de passar os últimos dias de sua vida? São propostas pra gente trazer esse fit cultural.

A gente se preocupa que todas as pessoas que estão conosco, realizem seus sonhos. Não importa qual seja. Seja conhecer um país, trocar de carro. A gente consegue alinhar as expectativas ajudando elas a realizar os sonhos da melhor maneira possível.

Como manter dois polos de uma empresa alinhados

MM: Você com um time em constante crescimento com equipe em São Paulo também. Como que você faz para manter a cultura e valores, mas para manter também os processos em dia. Como você faz isso hoje?

TD: Hoje isso é um trabalho permanente, constante e necessário. Na verdade, quando a equipe vai crescendo, a gente vai criando as nossas próprias lideranças. Que vão ajudando a gente também. Manter a cultura, manter o nível técnico, a qualidade de serviços sempre de altíssimo nível. Exige que a gente faça uma série de treinamentos e aperfeiçoamentos constantes.

Reuniões

A gente tem reuniões frequentes com nossas equipes, seja em São Paulo, seja em Belo Horizonte. A gente tem reuniões relacionadas às questões financeiras. Essa semana mesmo nós tivemos uma reunião relacionada a questões financeiras. Que toda a equipe ajuda a estabelecer a meta de faturamento de toda a empresa. Então as decisões são muito colaborativas e horizontais também.

Treinamentos internos

A gente pergunta feedbacks para todas as pessoas que estão aqui. Então, assim a gente realiza treinamentos. Nós realizamos disseminação de conteúdo interno nosso. Nós convidados as pessoas durante o processo de onboarding para participar de casos reais, de vivências reais. Visitando clientes, visitando parceiros, viajando para São Paulo, conhecendo nosso escritório.

+ Saiba a importância dos treinamentos internos após a contratação na empresa

Gestão Horizontal

A ideia mesmo é fazer com que as pessoas se sintam parte da companhia, ou seja, uma gestão mais horizontal. E além disso tem uma dinâmica mais intensa de aperfeiçoamento. Não é um desafio fácil. Às vezes a gente acaba patinando nesses quesitos. Mas é um trabalho totalmente meu, como o diretor executivo aqui, de provocar essas melhorias. Essas mudanças para toda a equipe. Equipe de tecnologia, de marketing, de sucesso, financeiro, vendas.

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+ O Tomás Duarte participa do evento Customer Experience Summit, que trata sobre a melhoria da experiência do cliente. Ele deve acontecer em São Paulo ainda este ano. Acesse o site do evento e fique por dentro das datas!

Treinamento de funcionários para melhorar performance do produto

MM: O que vocês tem aí tanto na questão de treinamento tanto para a questão de atualizar seus colaboradores quanto também para manter os seus clientes satisfeitos? E aprendendo constantemente a como utilizar e melhorar a performance no uso do seu produto?

TD: Nós temos hoje um forma de comunicação direta com os clientes. Por meio de e-mail e por meio do Intercom. Essa é a forma textual mais simples de se chegar até o cliente hoje. Outro ponto relevante é que eu trabalho muito a comunicação de qualquer usuário da nossa ferramenta, que deve estar passando de 4.500 agora, via WhatsApp. Então todos os usuários recebem um WhatsApp meu. E eles me chamam diariamente. Me chamam para dar algum feedback, para se apresentar, para tirar alguma dúvida e eu acabo envolvendo a nossa equipe. Mas o fato é que isso é importante também.

Recentemente nós compramos uma câmera, um microfone lapela, microfones direcionais, estamos esperando chegar a parte de iluminação. A gente já grava alguns vídeos mas ainda estamos também em evolução. A gente chegou a gravar alguns vídeos. A gente utilizou uma base de conteúdo para que qualquer cliente que tivesse dúvida pudesse entrar lá. Mas a gente vai querer evoluir nesse quesito. E dessa maneira a gente quer trabalhar muito com o vídeo nesse ano agora.

Processo de onboarding no sucesso da contratação

MM: Para fechar. Deixe um conselho pra gente que seja mais valioso para você. Se você conseguir separar uma coisa só ou um par de coisas. O que você deixaria ai de mensagem final.

TD: Todos os melhores funcionários que a gente tem. As melhores pessoas que trabalham conosco, elas participaram de uma entrada na empresa muito sutil, muito suave. O processo de onboarding é quando a gente contrata a pessoa ela vai entrar na empresa. De uma forma muito devagar e delicada. Aprendendo cada item da empresa em termos de tecnologia, financeiro, qualquer área.

Isso tem que ser bem suave e delicado. Quanto mais delicado e mais preciso você fizer esse processo, maiores as chances de você ter uma pessoa mais confiável. De você ter uma pessoa que vai ter uma performance melhor, uma pessoa que vai tratar melhor os seus clientes. No processo de onboarding é que realmente as coisas vão acontecer.

E se a contratação não deu certo?

Talvez se você percebeu que essa pessoa não está confortável, não é a pessoa correta. Tenta dar mais uma chance pra ela. E se realmente não der, olha, caminhos diferente a gente realmente não deu certo. Então, processos de onboarding são muito delicados para que você consiga passar todos os seus valores, toda a sua cultura. Mostrar para toda a equipe também vai enxergar quem é essa pessoa. Um modo de você realmente formar um time de amigos ali. Porque amigos você não faz de uma hora para outra.

Equipe engajada nas vendas

Além disso, eu falaria que toda a equipe tem que estar engajada em vendas. Hoje a gente pode crescer rapidamente porque a equipe se engajou. Não é ficar empurrando produto, nada disso. Mas ela falou assim. Se eu tenho uma remuneração possível de ser atingida e eu posso ganhar dinheiro com isso também.

O fato é que eu quero entregar muito valor aqui para o meu cliente, é claro. Mas também eu tenho que realizar novas vendas em uma forma da gente crescer juntos, né? Dinheiro novo resolve qualquer problema. Sales fix everything.

Se eu quero ter um aumento de salário, vamos vender. Se eu quero trocar de carro, vamos vender. Se eu quero viajar para a Europa, vamos vender. Se eu quero trocar de computador, vamos vender. Se eu quero pedir minha noiva em casamento, vou vender. Entendeu?

Qualquer sonho, qualquer objetivo, você vai conseguir trazer através de novos clientes. Isso é muito interessante pra gente, porque a gente tem uma perspectiva de crescimento e faturamento bem interessante.

MM: Eu fico muito feliz de ver o crescimento da tracksale.

Gostaram do terceiro AioCast? Quer ouvir os outros é só dar play abaixo e, claro, seguir também pelo Soundcloud.

No AioCast de hoje focamos muito no processo de contratação, desde o diploma até o onboarding. Tem dúvidas sobre esses assuntos? Mande nos comentários!

Toda sexta-feira temos um encontro marcado então, certo? Te espero aqui!

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Ana Clara Carvalho é escritora, jornalista e blogueira do Diário da Aninha Carvalho. Adora descobrir o que há por trás de séries, filmes e ama escrever, tanto que publicou o primeiro livro aos 20 anos. Além disso, adora gravar vídeos para o canal no YouTube e agora faz vídeos para o Aio também. Ela vai te ajudar a entender o mundo dos cursos on-line tanto para o ensino quanto para treinamentos corporativos como redatora do blog Meu Aio. Então, se quiser falar com a Ana basta comentar abaixo, interagir nas redes sociais ou entrar em contato pelo e-mail: acarvalho@barbaruiva.com. Ah! Ela adoraria ter você como seguidor no Instagram! #FicaDica