13 Reasons Why (Os 13 Porquês) do ambiente de trabalho

13 Reasons Why (Os 13 Porquês) é um livro escrito por Jay Asher e adaptado por Brian Yorkey para Netflix. [Calma, isso não é um spoiler] A série acompanha o dia-a-dia de um aluno que ainda se recupera do suicídio de sua amiga quando ele recebe uma caixa de fitas contendo as razões por trás de sua morte. Sem dúvidas, há muitas reflexões que podemos levar para a vida. E não seria diferente no nosso ambiente de trabalho.

Por isso, tentando ser o mais cuidadoso e sensível possível, abordarei “Os 13 porquês” de um colaborador não conseguir se adaptar ou não alcançar resultados e progresso como se espera e deseja. Igualmente, abordarei ações que as empresas precisam mudar ou perseguir. Confira:

1º Porquê: Entrevista e fit-cultural

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Tudo tem um começo. Para empresas e funcionários, ela se dá por um formulário online onde o então candidato postula para uma vaga de emprego. Esse formulário ou informações precisam ser feitos com carinho. Devem passar informações precisas sobre função, cultura da empresa, o que se espera do candidato, etc. Ao mesmo tempo, o candidato também precisa ser muito honesto e transparente na sua postulação.

Não adianta nada, para os dois lados, mentir ou omitir informações. Toda relação precisa começar com transparência e honestidade. E não seria diferente aqui. A primeira impressão não necessariamente é a que fica, mas isso não significa que ela não seja importante.

Se uma empresa e um funcionário querem demonstrar que possuem uma boa cultura, ambos precisam partir, desde o primeiro contato, com retidão uns com os outros.

2º Porquê: Onboarding do colaborador

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A atriz Katherine Langford interpreta Hannah Baker na série da Netflix 13 Reasons Why

Ok, passamos pela entrevista. Depois de preencher a papelada, participar de dinâmicas de grupo (eu sempre era eliminado nessas), ser entrevistado pelo RH, CEO, CTO, CIO, CFO, CXPTOYZ, o colaborador finalmente foi contratado! YAY! Bem, o trabalho só está começando. E, na verdade, esse trabalho nunca termina. Mas vamos lá! O colaborador precisa sim de um sólido onboarding. O que é isso? É quando o funcionário é embarcado na empresa.

Veja, ele precisa conhecer os departamentos, os gerentes, os times, o ambiente, onde e com quem trabalhará, etc. E isso não é coisa de 20 minutos. É mais um trabalho intenso de imersão e que pode durar uma semana ou mais. Apesar de, aparentemente, ser algo massante, é essencial para o colaborador (e, por consequência, para a empresa) saber onde está, com quem está e onde fica cada coisa.

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3º Porquê: Cultura da empresa

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O ator Devin Druid, interpreta o personagem Tyler. Estudante que não perde um clique na série 13 Reasons Why

Além de embarcar (onboarding) o colaborador, é importante que ele tenha, ao mesmo tempo, uma verdadeira imersão na cultura da empresa. Ser apresentado para os fundadores/sócios, conhecer os principais pontos dessa cultura, os de maior valor para os donos da empresa, os “mantras” que a empresa ainda almeja alcançar. É um profundo alinhamento de expectativas. E isso precisa ser feito com maestria, pois qualquer detalhe pode acabar desviando o novato do foco.

Ainda sobre cultura, nem preciso dizer que é essencial que uma empresa possua uma cultura apresentável. O que quero dizer com isso? Uma empresa precisa ter sua cultura clara. E essa cultura precisa ser expressada pelos seus sócios e pelos seus funcionários mais antigos. Cultura não é um monte de slides de uma apresentação bonita. Cultura é a expressão da crença dos fundadores. Por isso o contato com eles é tão importante.

4º Porquê: Ambiente (amplitude do domínio da sub-cultura)

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Clay, interpretado por Dylan Minnette, trabalhou no cinema junto com Hannah na série 13 Reasons Why

Apesar de toda empresa possuir (deveria, ao menos) uma cultura, há uma “sub-cultura” onde os “atalhos”, o dia-a-dia, etc funcionam. São os “culture-hacks” dos próprios funcionários, ou seja, uma releitura e a real prática da cultura pregada pelos fundadores e pelo RH. E isso é um ponto delicado. Muitas vezes, os colaboradores vestem uma capa de cultura na frente dos sócios (isso ocorre, na maioria das vezes, quando os mesmos ficam distantes do negócio), mas no dia-a-dia, a música toca em outro ritmo completamente diferente.

Como funcionário e conhecedor de várias empresas diferentes e seus respectivos ambientes, posso dizer que a chamada “rádio-peão” é MUITO MAIS FORTE que a cultura “original”. Por isso, muito mais que cuidar com a transmissão da cultura desejada, é importante cuidar do exercício dessa mesma cultura, diminuindo e anulando a força e capilaridade da “sub-cultura”, dos “culture-hacks” e dessa chamada “rádio-peão”.

Lembre-se, aqui, a regra do “ações valem mais que palavras” aplica-se em 100%. Os diretores/heads, os sócios e o time de RH precisa ser muito bom em agir em conformidade com a cultura pregada, caso contrário, a descrença toma conta e uma cultura paralela se levanta. E o combate a isso é doloroso e exigirá muitos sacrifícios no futuro. Portanto, liderar pelo exemplo não é apenas uma frase de efeito, mas uma poderosa proteção a cultura e ambiente de trabalho.

5º Porquê: Adaptação

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Cada pessoa tem um tempo diferente para se adaptar ao novo trabalho. Há quem o faça muito rápido, outros demoram mais. Identificar isso desde o começo é vital para o sucesso e adaptação de um novo colaborador.

Claro, não estou dizendo que devemos dar tempo infinito para que essa adaptação ocorra. Porém, de ambas as partes, é necessária tolerância e paciência para que o encaixe aconteça. A empresa precisa entender que ninguém é igual. E o colaborador precisa entender que ele precisará reaprender muita coisa. Assim, se ambas as partes entendem isso desde o início, o trabalho conjunto para essa adaptação ocorrer fará diminuir em muito os atritos naturais deste período, diminuindo o desgaste entre todos.

6º Porquê: Inclusão

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Atividades coletivas, happy hours, eventos internos que auxiliem o colaborador a ser incluído ao time o mais rápido possível. O sentimento de pertencimento é forte e essencial não apenas para a produtividade do colaborador, mas para sua vida social e pessoal. Apesar de estarmos falando de ambiente profissional, nós passamos a maior parte do nosso tempo no trabalho.

Mais que nossa família, muitas e muitas vezes. Uma empresa não é uma família. Nem pode ser. Mas é um time. E, sendo time, precisa aprender a jogar para o mesmo lado, sempre.

Quem está do seu lado deve jogar para o lado certo. E o entrosamento é fundamental pra isso. Portanto, todo esforço para que o time esteja próximo, se entendendo, vale a pena. Na minha opinião, a produção do colaborador está diretamente relacionada a saúde da sua mente (englobando aqui questões pessoais e familiares).

7º Porquê: Educação Continuada (Processos de Aprendizagem)

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Devido ao gigantesco gap entre escola/faculdade e mercado de trabalho, as constantes e velozes mudanças de mercado, é necessário contribuir e investir constantemente em educação. Toda empresa precisa ser uma grande escola para seus colaboradores. Além disso fazer com que seu time seja muito melhor e mais forte, também aumenta a longevidade do colaborador na sua empresa.

Assim, investir continuamente em educação faz todo o sentido. Primeiro, porque o retorno pode ser visto nos resultados. Segundo, porque os próprios colaboradores ficam mais engajados. E, quanto mais experiência ele adquire, melhor para ele e sua carreira. E, ao mesmo tempo, isso é ótimo para o negócio porque os resultados igualmente melhoram.

É um ganha-ganha, essa é a verdade. Investir em educação é retorno certo. Pra todo mundo.

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8º Porquê: Plano de Carreira

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Ross Butler, interpreta o personagem Zach em 13 Reasons Why

Todos nós precisamos ter uma visão de curto, médio e longo prazo quando o assunto é a carreira profissional. Portanto, definir plano de carreira é vital para que os colaboradores se planejem e busquem alvos de crescimento interno na respectiva organização.

Nós precisamos saber para onde vamos. Essa informação é muito importante. Seja na vida, seja profissionalmente falando. Portanto, tanto o colaborador precisa desenhar suas metas para vida como um todo quanto a empresa precisa buscar apresentar um desenho de como o colaborador poderá alcançar suas metas por meio da empresa. Muito mais que aquele plano de carreira padrão, é importante que a empresa entenda como o funcionário pode extrair o máximo dela para alcançar seus anseios, seus objetivos, seu crescimento.

O fato é que a empresa faz parte da vida da pessoa, mas não é a vida dela. Portanto, quanto mais cedo os gestores entenderem e aceitarem que a empresa será parte da jornada e não a jornada completa do colaborador, melhor. Assim, conseguirá extrair o melhor dele e vice-versa. Um relacionamento transparente, honesto e que visa o crescimento mutuo. Mais uma vez, um belíssimo ganha-ganha.

Fechando o 8º Porquê, deixo uma frase de um poeta brasileiro, bregamente adaptada para todo RH e CxO aprenderem e cantarem juntos:

Não aprendi dizer adeus
Mas tenho que aceitar
Que colaboradores vêm e vão
São aves de verão
Se o colaborador tiver que me deixar
Que seja, então, feliz

Não aprendi dizer adeus
Mas deixo o funcionário ir
Com lágrimas no olhar
Se adeus me machucar
O inverno vai passar
E apagar a cicatriz

🙂

9º Porquê: Acompanhamento

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Tony, interpretado pelo ator Christian Navarro, tenta ajudar Clay a conseguir escutar todas as fitas em 13 Reasons Why

O olho do dono é o que engorda o gado. Ok, essa frase é meio negativa. Explico o que quero dizer com ela. Todo funcionário precisa de um tutor. O mais legal, se puder te dar essa dica, é que cada funcionário novo da sua empresa possua um outro funcionário veterano como seu “tutor”. O acompanhamento é algo extremamente importante para cuidar dos colaboradores mais novos. É meio que uma pirâmide do bem.

Assim, busque sempre formas de cuidar uns dos outros. Muitas vezes, a correria da vida nos fazem meio insensíveis. Mas é importante estarmos acompanhados. E na empresa é a mesma coisa. Esteja atento aos seus colegas de trabalho e busque sempre estar próximo como um suporte construtivo. Não fofocativo, não destrutivo. Mas propositivo, algo que o faça progredir 😉

10º Porquê: Salários justos

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Pagar salários na CLT é bem difícil. Muitas vezes, o empregador quer pagar mais e melhor, mas o alto custo da CLT dificulta bastante isso. Apesar disso, quando falo de salários justos, não digo apenas no seu valor em si, mas também digo de igualdade. Tratar todos de igual forma. Não interessa se é homem ou mulher. Salários iguais e tratamento justo para todos.

Ok, você vai me dizer que, no Brasil, os salários devem ser obrigatoriamente iguais. Sim, isso é verdade. Mas a prática não é bem essa. Assim, esforce-se sempre para que seus colaboradores recebam o justo por setor e nível e que cada um deles tenha salários iguais.

Espero que tenha conseguido me expressar bem nessa 10ª razão. Para mim, salários justos vão além de pagar o que a pessoa merece. Também tem relação com pagar da mesma forma os pares daquela posição de trabalho. Enfim, espero de coração que tenha ficado claro, porque eu sei que é um assunto sensível e pouco compreendido.

11º Porquê: Igualdade

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Mais uma vez. Não importa quem seja. O tratamento de todos, para com todos, deve ser igual. O que eu quero dizer com isso é que ninguém pode receber um tratamento “pior” ou “privilegiado”. Todos devem ter igualdade de condições e direitos dentro de uma empresa.

Veja, abordo este tema sob a perspectiva de insumos/condições de trabalho, salários, tomada de decisão, etc. Não interessa a cor ou o sexo, etc. Todos devem ser tratados de maneira igual independentemente disso.

E para termos um ambiente de igualdade, é necessário um trabalho continuo. E somente o sentimento de time, de pertencimento (falamos disso na 5ª e 6ª razões) faz com que nos importemos com o coleguinha ao lado. Não basta um trabalho “de cima pra baixo” ordenando “igualdade”. Precisamos de trabalhar a base para que isso seja realidade. Foque nas razões 5 e 6, elas te ajudarão muito a resolver a 11ª.

12º Porquê: Respeito às diferenças

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Hannah e Jessica, interpretada por Alisha Boe, se conheceram porque eram as únicas alunas novatas na série 13 Reasons Why

Nós somos muito diversos. E cada um de nós possui uma realidade diferente. Preferências diferentes. Crenças diferentes. O respeito é uma premissa. E veja, respeito não significa pensar igual o colega, mas mesmo que discorde, respeitar e garantir o direito do amigo do lado viver a vida dele como ele quer viver.

Muitas vezes queremos imprimir ou impor nossa maneira de ver a vida sobre o outro. Mas, na realidade, precisamos rever um pouco nossas ações e, mesmo que possamos discutir saudavelmente as nossas diferenças de vida, há urgência para que o respeito às diferenças prevaleça.

13º Porquê: Transparência e Honestidade

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Empresas que são honestas (tentam sempre o ser) e que sempre se comunicam de forma transparente com seus colaboradores, muitas vezes, pagam um preço amargo por isso. Mas, na minha opinião particular, vale muito mais a pena ser uma empresa menor e menos “cool”, mas que preserva a honestidade, a ética, que uma empresa que prega uma casca destes valores para a mídia, mas internamente é completamente podre.

Lute para mudar isso. E, se você conseguir crescer e ser uma grande empresa mantendo todos estes princípios, você merece um busto de bronze em alguma praça famosa de sua cidade. Digo isso só para demonstrar o quão difícil e árduo é.

Quanto ao colaborador, o mesmo. Transparência e honestidade sempre. Seja sério. Não negocie seus valores. Sei o peso do que estou falando. Eu já perdi meu emprego por não negociar valores e ética. Me custou caríssimo. Mas, hoje, superada toda a situação, acredito que tomei a decisão correta. Não venda seus valores. Mais, seja o exemplo de valores e atitudes corretas. Influencie positivamente as pessoas ao seu redor. Não há nada mais valioso que isso.

“Bônus” 14º Porquê: Seja a mudança

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Clay enquanto escuta as fitas em 13 Reasons Why

Nós somos cheios de imperfeições. Nenhuma empresa é perfeita. Nenhum colaborador é perfeito. Mas nós sempre podemos mudar e melhorar. Por isso, mesmo que haja falhas onde você trabalha, busque ser o agente de mudança para que as coisas sejam melhores a cada dia. Nada mudará se eu não mudar. Acredito que esse seja o ponto de partida, sempre. Eu posso ser melhor. E também posso buscar influenciar positivamente as pessoas ao meu redor sendo alguém melhor e em constante mudança.

Isso serve para mim, para qualquer funcionário, chefe, dono de empresa. Sempre haverá o que melhorar. Enquanto acordarmos e houver um sol sobre nossas cabeças, enquanto respirarmos, haverá oportunidade para fazer diferente e melhor. Sejamos a mudança.

Meu desejo é que esses “13 porquês (mais o bônus)” sirvam para refletirmos o que podemos melhorar, mas ao mesmo tempo, encontrarmos o que estamos fazendo e que também está funcionando. Se você tiver sugestões do que você tem feito e que tem funcionado, não deixe de compartilhar conosco! Obrigado!

Sobre o livro/série 13 Reasons Why (Os 13 Porquês)

13 reasons why
Capa da série 13 Reasons Why, em que metade do rosto de Clay é tampado pelas fitas com o rosto de Hannah Baker

Se interessou pela série 13 Reasons Why (Os 13 Porquês)? Veja o que o IMDB tem a dizer sobre ela! Possui Netflix? Assista aqui. Agora, se você prefere o livro, clique aqui para ir ao site oficial dele. Ah, tem um “Making-Of” também, contando os bastidores. Caso você não saiba, a cantora Selena Gomez também participou da produção da série e está presente neste documentário complementar. Você pode assistir tudo, 13 reasons why e ao documentário, na Netflix.

Depois conta nos comentários o que achou da série 13 reasons why, vamos adorar saber!

Matt Montenegro
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Matt Montenegro é fundador do Barba Ruiva, que funciona como um guarda-chuvas para o Beved, um mercado livre de cursos online, o Vida de Startup, este blog onde é escritor e criador e o Aio, um YouTube corporativo para base de conhecimento, comunicação interna e mini-treinamentos para empresas. Também é formado em Comunicação Social(Publicidade) na Newton Paiva, cursou a Pós-Graduação em Design de Interação na PUC e especialista em User Experience. É membro ativo do SanPedroValley, comunidade auto-gerenciada de startups da região metropolitana de Belo Horizonte.